Inspirado na Galeria Menescal, onde o próprio compositor morou por um período que guarda boa parte da história de Copacabana e dos personagens da nascente Bossa Nova há mais de 50 anos atrás,  Roberto Menescal se uniu a cantora Wanda Sá e ao grupo vocal BeBossa e criou o espetáculo “A Galeria do Menescal”.

Neste ano, Roberto Menescal completa 75 anos de idade e para comemorar está lançando o CD “A Galeria do Menescal”, no Brasil, pela gravadora Sala de Som Records e no exterior, pela sua gravadora, Albatroz.

Considerado um ícone da bossa nova e um importante nome da nossa música que contribui, e muito, para a sua divulgação no exterior, Menescal tem uma trajetória que envolve ainda flores, amigos e valores que o transformaram em um homem publicamente conhecido por sua competência, seriedade, transparência e a serenidade típica de quem tem um jeito leve e ímpar de levar a vida.

Este “jardineiro da canção” (chamado assim pelo compositor paulista Costa Neto) apresenta no show de lançamento do novo CD ao lado de Wanda e do grupo BeBossa uma coletânea de sua obra que vai muito além de O Barquinho (Menescal e Boscoli), Vagamente (da mesma dupla) e de Bye Bye Brasil (dele e de Chico Buarque). Como compositor, Menescal  tem parcerias além de Boscoli  e Chico Buarque, com  Costa Neto, Paulo Coelho, Paulo Feital, Nelson Motta, Paulinho Pinheiro, Carlos Lyra e até mesmo Carlos Drummond de Andrade.  As músicas são apresentadas em diversas formações: Menescal e Wanda ; apenas o Bebossa a capella, Wanda e o Bebossa,  Menescal e o Bebossa e todos juntos.

No palco, junto com Roberto Menescal, Wanda Sá, o BeBossa : Cauê Nardi, Matias Corrêa e Zeca Rodrigues (direção musical e arranjos), Livia Nestrovski, Fernanda Gabriela e Guilherme Héus.

 

Uma capa muito Bossa Nova

 

A proposta gráfica da capa do cd, e do projeto gráfico em si, assinado pela Ilustrarte Design, foi revistar o visual marcante das capas criadas por César Villela para a gravadora Elenco, nos anos 1960. Na época eram lançados os primeiros discos de toda uma geração que viria a se tornar ícone da música popular brasileira.

Menescal estava entre eles, com LPs como A Bossa Nova de Roberto Menescal e seu conjunto A Nova Bossa Nova de Roberto Menescal e seu conjunto, em meio a outros grandes artistas, como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Nara Leão, Tamba Trio, e muitos outros, que foram brindados com a elegância do traço de Veillela..

A partir de conceitos como minimalismo, elegância e modernidade, essas capas tornaram-se parte da nossa cultura visual, sendo freqüentemente associadas à boa música. Na época, as técnicas de impressão eram inteiramente diferentes, havia outros processos e limitações envolvidos. Mas foi com essas limitações que, seguindo um partido bem simples – com uso do alto contraste pontuado por detalhes em vermelho e de tipografia forte e com impacto –, César e a Elenco ajudaram a criar, talvez inadvertidamente, a imagem da própria Bossa Nova.

Foi com deferência a essa história e a essa obra que os artistas decidiram utilizar dos mesmos conceitos, traduzidos para a época atual, ao construir a identidade do projeto A galeria do Menescal.